A partir da ideia de tríptico e da relação entre imagens - explícita na proposta dos diferentes mundos de Bosch - debrucei-me sobre uma ideia antiga de proximidade (geográfica, urbana) e antagonismo (ideológico, estético) que fui percebendo na experiência da minha rua, na experiência da rotina, na experiência da cidadania: de um lado, acomodada num beco empedrado, uma ideia anterior à cidade, esquecida porque desajustada; do outro, escancarada na largura de uma avenida, a resposta agressiva de uma modernidade autoritária e autista. No exercício deste estudo conduzido pelas imagens surgiu então um terceiro elemento, até aqui despercebido: o monte que separa estes dois lados. A partir daqui, o que de mais importante resulta desse processo de transformação é o embaraço que ainda vai resistindo naquele prolongado monte.